O AMOR

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Ela havia terminado a matéria poucos minutos antes do toque de saída, alguns alunos procuraram convencê-la deixar a turma sair mais cedo. “Não… A menos que me convençam com boas razões – disse-lhes. - E mesmo assim será difícil!”

Então, uma das alunas levantou o braço e disse, com a convicção inabalável dos seus quinze anos: “A professora deve deixar-nos sair porque tenho lá fora à minha espera o amor da minha vida!” Com alguma admiração perguntou: ”Como é que que você sabe tanto sobre o teu futuro?” Ao que ela ripostou: “Eu não sei explicar apresentando razões, mas tenho a certeza”.

É difícil pensar de modo racional sobre o amor romântico quando estamos a vivê-lo: as nossas razões são vencidas pelos sentimentos. No entanto, uma parte significativa da nossa auto-estima e satisfação com a vida depende de uma certa dose, eu diria de sorte, nesta matéria.

Para perceberem melhor o sentido das afirmações da aluna, leia abaixo a canção “Valsinha”, escrita por Vinícius de Moraes e cantada por Chico Buarque:

Valsinha

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz