Falando de jornalismo
Para que serve um JORNAL?
O jornal serve para informar os seus leitores, podendo constituir, subsidiariamente, uma fonte de distração e entretenimento. Se a função do jornal é informar os seus leitores, tal significa, em primeiro lugar, que a coisa mais importante do jornal, a única coisa importante, são as suas notícias. Não são, pois, os jornalistas, as emoções dos jornalistas, bem como a sua pequena sede de fama e estrelato, assuntos que mereçam ser noticiados.
O jornalista não é notícia, não é a notícia, e, pese embora a crescente pressão motivada por uma concorrência feroz entre os media, não deve nunca confundir-se com ela.
Sendo o jornal uma empresa que produz e divulga notícias, não pode servir interesses criados, nem outros interesses que o seu interesse de informar.
O jornal não serve para dar cumprimentos, tecer loas, promover partidos, personalidades ou ideais, ganhar eleições, forjar mitos, arregimentar hostes ou empreender guerras santas. Nem o inverso.
A única coisa que o jornal faz, de forma rigorosa e fundamentada, é divulgar fatos atuais de interesse geral – as notícias. Se, eventualmente, tais fatos desacreditam ou abonam a favor de pessoas, é algo que cumpre aos leitores concluir a partir da leitura dos tais fatos que o jornal noticia.
Mas nem só. O jornal também veicula análises e opiniões. Algumas, como os editoriais, da responsabilidade do diretor, ou os artigos de opinião não assinados, comprometem e obrigam todo o corpo redatorial. Outras, da responsabilidade de jornalistas individualmente identificados, colaboradores ou colunistas, exprimem os pontos de vista e as apreciações subjetivas dos fatos que são feitas pelos seus autores.
Entende-se como parte fundamental do serviço prestado por um jornal a contribuição que este presta para a análise dos acontecimentos, o esclarecimento e a formação dos seus leitores.
E por isso a opinião não é parente pobre da informação, nem vice-versa. São produtos diferentes, que visam objetivos diferentes e possuem igual estatuto e dignidade.
Fonte: Manual de Jornalismo, de Ricardo Cadet, p. 39.